O novo público colaborativo. Coprodução.

Transcrição da Aula

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Olá! Para dar início ao programa de hoje, eu vou ler aqui uma carta do meu ouvinte e a Flávia Nascimento. Ela pede para que a história dela ser compartilhada com você, amigo ouvinte. É uma história de amor. Uma história de amor que termina em tragédia. Bom, a carta ouvinte é um canal que foi muito utilizado. Sempre foi utilizado de aproximação entre a emissora de rádio e ouvinte.  Não é verdade?

Este é um canal que funcionava muito bem, animando a programação, fortalecendo o elo de contato entre o apresentador e quem estava na ponta da linha. Muitas emissoras faziam campanhas e isso movimentava a audiência, ampliava o alcance, todos buscando ser presenteados com um brinde, ter uma história contada irradiada pela emissora. Essas ideias de aproximar os ouvintes, presenteá-los foram muito exploradas nos Estados Unidos e muitas emissoras brasileiras trouxeram a seguir esse mesmo caminho.
Isso era pura interação, puro diálogo, pura participação. E com um pouco mais de recursos, chamamos de interatividade. Quando falamos hoje da importância da interatividade, não podemos esquecer destas experiências. Hoje, com tantas ferramentas tecnológicas de aproximação entre ouvinte e as emissoras, não podemos esquecer de tudo o que já foi experimentado dessas até uma carta do ouvinte, por exemplo, e o quanto elas divertiam, distraíam, valorizavam, fidelizar o público sem interesse.
Se a interatividade é coisa do passado e ela com certeza ainda continua no presente e provavelmente continuará forte no futuro, Apenas a forma, as ferramentas, as potencialidades podem ter sido alteradas. Nós podemos identificar a interatividade em três níveis um parcial, um total e uma limitada. Essa definição diz respeito a qualidade, a quantidade de interação, de interatividade, proposta. Quando o sistema que eu ofereço deixa um canal de participação para o ouvinte, uma opção para baixar o conteúdo, dar um clique ou ainda participar de uma enquete, nós dizemos que a interação, nesse caso, é uma interação, uma interatividade baixa, limitada.

É importante saber que a interatividade por si só, já é uma coisa muito boa, mesmo que ela for limitada, não é? Mas quanto mais, melhor, certo? Mas mesmo que ela for limitada, ela já cria uma relação com o ouvinte usuário de quem está interagindo, participando.
Quando a pessoa interage, ela está aceitando o recurso oferecido e isso é uma primeira atitude para romper a distância, um estranhamento, a indiferença do outro. Quando a pessoa interage e uma vez ela está propensa a interagir, outras vezes com a nossa plataforma ou com a nossa emissora. Olha quantas coisas boas podem vir. Por isso que a experiência de interação tem que ser planejada para causar uma boa visão da pessoa que concordou em fazer uma ação proposta.
Se a interação for limitada, mas a experiência for boa, a proposta deve ser aprovada pelo ouvinte usuário. Então ele vai voltar, ele vai participar mais ainda. Então, interação limitada pequena, por exemplo, mandar uma carta para emissora, mandar um email, cadastrar se na newsletter são tudo exemplos de interação limitada. A interatividade parcial é quando a ação proposta por público é capaz de alterar um pouco o ambiente.
Por exemplo, quando o ouvinte liga para o telefone da emissora e entra no ar na hora, a participação do ouvinte alterou. A programação ficou diferente. O ouvinte vai falar sobre o tema escolhido pela produção no site. Por exemplo, quando o internauta ou usuário pode baixar um conteúdo, deixar recado, escolher música. Na interação parcial, já existe uma grande participação do público em um sistema um pouco mais rico, preparado para oferecer uma experiência melhor.
Mas o sistema foi pensado antes, foi preparado, então o ouvinte pode falar, mas dentro de um tema proposto. Então, por isso chamamos de parcial a interatividade.

A interatividade total é quando o sistema pode ser reconfigurado de acordo com a participação do agente. Por exemplo, quando o sistema permite você definir temas que o ouvinte escolher o tema que vai falar, o ouvinte, enviar reportagens a sua escolha para veicular a programação, enviar documentos, enfim, nesse caso, a interação está livre e provavelmente será acolhida pelo sistema.
Então, nesse caso, nós chamamos de interatividade plena, completa.

Eu quero frisar que a interação muda completamente essa relação do ouvinte com a rádio, mesmo que não seja eu próprio, mas que alguém que me ver, que eu vi me veja representado, já cumpra esse papel. Nós sempre buscamos ser ouvidos e quando ouvimos nossas vozes já não há como segurar a emoção.
Se fazer ouvir. Em plena sociedade midiatizada, tecnológica, com redes sociais em que todos gritam cada vez mais alto, queremos sistemas que possamos interagir, manifestar a nossa opinião, mas não falar a esmo, falar, falar para ninguém. Queremos falar e ser ouvidos. Aí o grande diferencial de uma rádio, de uma rádio comunitária. As pessoas podem montar suas playlist e ouvir música, mas vai ter uma hora em que o que valerá será o falar e ser ouvido, o diálogo.
Simples assim. E aí, Playlist nenhuma consegue criar essa interação. O rádio, sim. Bom, se eu já sei que a interatividade é muito importante, que devo criar várias possibilidades, explorar os diferentes níveis de interatividade. Eu também não posso deixar de considerar o aspecto da coletividade, que seria a ideia de coletividade. Coletividade tem a ver com o coletivo e nossa natureza se fortalece com a convivência social.
As experiências que são promovidas, em que eu consiga me sentir representado, me ver presente e ao mesmo tempo, tantas outras pessoas também sintam a mesma coisa. São os momentos mais fortes. Isso. O rádio de hoje e do futuro também deve buscar. O momento tecnológico permite a personalização de todo conteúdo. Isso é interessante, mas eu também quero me sentir engajado na sociedade.
Então precisamos pensar em emissoras de rádio que ofereçam experiências mais individualizadas e experiências mais coletivas. Creio que assim estamos visualizando um futuro promissor. Quando falei em interatividade, chamei a atenção para os níveis que podemos pensar em situações de participação mais completa, mais rica, com sugestão de temas, pauta, enfim, conteúdos novos proposto pelo ouvinte. Está na hora de pensar uma produção colaborativa, uma coprodução.
Na produção colaborativa temos temas amplos que pedem uma abordagem mais aprofundada, que levam mais tempo de apuração, pesquisa, arremate, que a redação, coleta de documentos e sonoras para edição. Então, vamos pensar se nossa emissora tiver um grande tema por semana para produção colaborativa, pode ser interessante, não acha? Vamos imaginar isso é uma hipótese para esta aula. Uma reflexão bem objetiva, verdadeira, sobre como pode ser um processo de apuração de um tema.
Mas, como na vida real. Mas no final dessa aula a gente pode reavaliar se o caminho escolhido agora na aula foi melhor, Mas vamos, vamos pensar o seguinte nosso tema é moradia. Vamos lá! O que nós poderíamos fazer com moradia? Queremos que essa reportagem chame a atenção para a importância de termos moradia, um lar para nos abrigarmos. Vamos falar do déficit habitacional 7.700.000 moradias em 2017, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.
Segundo eles, se um governo iniciar um programa pra valer, com o objetivo de zerar o déficit nacional em dez anos, seria necessário construir 1.200.000 moradias por ano, ou seja, 12 milhões de moradia, porque há um crescimento natural nos dez anos. Podemos abrir e pedir a colaboração de uma rede de colaboradores para identificar personagens moradores em condições precárias em favelas, cortiços na rua, moradores de aluguel.
E essa rede de colaboradores poderia localizar nesses personagens. Queremos histórias de vida. Quem são esses personagens? Como vivem hoje? Quando chegaram nessa condição? Como foi os últimos dez, 20 anos da vida deles? A família? Quais as perspectivas hoje? Como eles foram e são atendidos nos serviços públicos? Aqui podemos ter colaboração de pessoas que concordem, ir nas comunidades, gravar essas histórias de vida.
Outro grupo de história são os que conquistaram a casa por programas governamentais, programas do governo. Temos que encontrar uma família que conquistou a casa pela minha Casa Minha Vida, um pelo mutirão de autogestão, Outros, mas outras famílias por outros programas. Como foi a conquista? Quais as mudanças? Isso trouxe para a vida deles? Eles continuam pagando pela moradia? Quanto eles pagam?
Enfim, nós queremos descobrir quais foram as mudanças que isso trouxe para a vida deles. Bom, aqui nós já temos umas dez histórias para a gente poder trabalhar. Agora tá faltando o poder público, uma fonte oficial das três esferas município, Estado e governo federal para falar dos programas. Quais são as verbas, Quanto foi investido na moradia nos últimos anos?
Também seria bacana ter uma fonte independente ou eleger alguém com uma formação. Pode ser o arquiteto, engenheiro, um psicólogo, assistente social, sociólogo, alguém que possa analisar esse contexto de morar, da falta de moradia. Os órgãos do governo explicam porque os programas iniciam e para o quanto se investiu e se investe em moradia. As energias, as fontes independentes. Elas podem dizer, na visão delas ou aqui, como elas veem o problema, como como eles tem sido resolvido em outros países e no próprio Brasil?
Como está essa questão? Não é bom, Quem sabe a gente pode até falar com as empreiteiras ou o sindicato das empreiteiras, que representam essas empresas que possam falar sobre a questão da construção mais econômica, projetos mais econômicos, de construção popular e tudo mais. Bom, com esse todo o material que pode ter sido coletado colaborativamente, você tem um conteúdo excepcional para uma série de reportagens sobre moradia.
Você pode ter uma aí, umas 20 entrevistas em tempo recorde, porque cada um, cada colaborador foi em busca de uma de um conjunto de entrevistas e que captou com cuidado, com responsabilidade, com compromisso, com a verdade. Por isso, os colaboradores têm que saber o que estão fazendo. Tem que se participar de um diálogo muito pequeno, treinamento que seja bom.
Isso vai funcionar melhor se a gente compartilhando arquivos em ferramentas na internet. Na verdade. Então nós podemos abrir uma página, certo? Com esses conteúdos, com essas orientações de cuidado das pautas e à medida em que os materiais vão chegando, as gravações sonoras vão chegando aos ouvidos, vão chegando. Eles podem ir colocando nessa pasta compartilhada, de modo que a nossa equipe vai vendo todo o conteúdo chegando para preparar uma edição.
Não é? Então, essas experiências de produção colaborativa pessoal está cada vez mais próximo da gente. A gente precisa experimentar esses recursos. Isso vai aumentar a qualidade da programação. A qualidade do que a gente oferece para os nossos ouvintes vai valorizar a participação de pessoas que querem contribuir e querem colaborar e vai dialogar com o momento tecnológico que nós vivemos, que é usando essas ferramentas para potencializar o nosso trabalho.
Isso certamente é um caminho da rádio do futuro. Bom, nós vamos ficando por aqui na aula de hoje, nos encontramos numa próxima. Não esqueça de fazer os testes logo abaixo e nos vemos em breve do abraço.

Faça os testes a seguir para fixação do conteúdo.